um presente de casamento
Dizem que é de lembranças que se faz uma vida, mas não só delas, acredito que vivemos de pratos, cadeiras, roupas de cama, toalhas, fogão, geladeira, garfos, facas e canhotos do VISA perdidos em gavetas.
Colecionamos coisas separados, juntos recebemos e dividimos as mesmas coisas e tantas outras. Juntos irão colorir e povoar a vida de tudo que é importante; grandes e valiosos volumes, pequenos e indispensáveis cacarecos.
Mas estas coisas todas, quando no seu destino de estarem naquele espaço onde nos juntamos e tudo se torna tão verdadeiro, enfim desaparecem e qualquer espaço se torna vazio porque nada mais cabe onde o amor existe.
E essa história que começou há algum tempo, festejou o encontro e a união de todas as coisas que guardamos, colecionamos, carregamos conosco e enfim, dividimos, agora merece um presente, só para falar disso que é tão mundano e daquilo que é tão sublime. Pois é exatamente isso o que chamamos de amor.
Guardem nesta caixa aquelas pequenas coisas, quaisquer sejam, que signifiquem todas as coisas que só vocês vão saber.
Na realidade este presente é uma idéia, pode ser que fique em cima da penteadeira em forma de um porta-jóias ou qualquer coisa com uma finalidade mais prática e real mas a idéia, das pequenas coisas que devem ser cultivadas sempre que possível, deve permanecer. A vontade de guardar um pedaço pequeno daquilo que não tem forma, nem peso, nem corpo.
Não sou muito fã de dar presentes com utilidade, e fui a pouquíssimos casamentos de pessoas da minha (ou quase) “geração”, enfim, somos ainda jovens e no fundo acreditamos nessas coisas, aliás acreditamos nas coisas que podemos tocar e que nos fazem lembrar do que não se materializa mas é maior do que qualquer espaço comporta.
Felicidades sempre,

eu guardo fotos.
Quem casou?
woolta a escrever
eu tenho varias dessas caixas
as vezes minha minha mesa vira uma caixa dessas