um presente de casamento #2
A família, raro são aqueles cujos densos laços de sangue determinam. Muitas vezes naqueles em que estes laços se apresentam muito mais diluídos, encontramos o acolhimento, o calor que descreve essa imagem, a da família.
Tanto isso é verdade que você, Mário, sempre será o que mais próximo me foi de um irmão, naqueles dias em que viviamos criando fantasias e inventando castelos, seremos sempre irmãos de sangue tantas vezes derramado nos galhos, asfaltos e concretos por onde corremos e tropeçamos juntos. Do mesmo sangue derramado, a memória eterna de ti Cecília, carrego na pele de todas as marcas e cicatrizes, aquela fatídica tatuagem que fiz em tua companhia e encorajoamento incondicional. Não seriam essas as trajetórias da afinidade, dos laços inquebráveis? A parceria, os rituais e símbolos que pontuam uma existência povoada de encontros, rostos, nomes e incontáveis coincidências, de todas estas encontrou em ambos um espelho.
Sei que dessa, a trajetória das coincidências, ninguem melhor entende do que vocês, nós. Quem haveria de prever que desses dois, tão indeléveis, ecoaria tanto amor. Tão imenso, é um suspiro de alento, um antídoto pras mágoas do mundo, um exercício de memória das coisas que tem valor, uma ato de coragem perante os que perderam a fé.
Um encontro tão antigo, de um laço, uma memória tão cotidiana, tornaria este encantamento uma escolha que traça na coincidência um destino.
Fortuita coincidência então, não há como descrever, dessas coisas poucas sabemos porque, mas esta será uma história de certezas. Eu sei que sim.
determinam o quê?