Sun it rises.
eu durmo, durmo. o sol se levanta faz meia volta sobre mim, me cobre de luz, eu verto suor pelos poros, o suor da cama, o suor nos lençois. o tempo passa e não faz mais sentido em que posição o sol se encontra, o calor do sono não é o mesmo calor de outros encontros, mas quanta umidade sobre os os lencois que da mesma maneira me cegam, me sufocam, me fazem perder a paz, os sonhos não vem, ja era dia quando me deitei, eu nunca sonho quando já é dia ou será que já não sonho mais, nunca mais? os lençois, a luz, o suor, o sono cansado de dormir, esse ciclo não se resolve, não se conclui, um dia como no outro e o desenlace do tempo que encontrava no sono um ponto final, um recuo de parágrafo, uma quebra de página, se emenda infinito, infinito.
as sombras que se projetam sob meus olhos são mais marcadas que minha identidade, ofuscam meu rosto e não me reconheço no espelho. se torna então um exercício de insistência em não fechar os olhos e hoje eu insisto em não abri-los, mas não é suficiente, os círculos escuros sob os olhos estão lá e maiores do que eu. o sol é maior que eu, o tempo é maior que eu, o cansaço é maior que eu.
e o sol insiste em dar suas voltas, eu insisto em existir no contra-tempo deste movimento e me pergunto, qual seria o compasso que me cabe?